Atlas Agropecuário revela malha fundiária do Brasil

A criação de uma base de dados georreferenciada da malha fundiária de todo o Brasil. Esse é o resultado da parceria entre o Imaflora, o GeoLab da Esalq / USP (Projeto Fapesp 2016/17680-2) e a KTH (Suécia). Englobando aproximadamente 6,7 milhões de polígonos, a malha recobre todo o território nacional e, pela primeira vez, oferece aberta e publicamente para a sociedade uma visão do conjunto das terras públicas e dos imóveis privados do país.

A malha fundiária utiliza 20 categorias de bases de dados oficiais. Entre elas estão, por exemplo, as áreas protegidas nacionais e estaduais, as bases de imóveis e de assentamentos do INCRA e os polígonos de imóveis do Cadastro Ambiental Rural (CAR) que, juntas, recobrem 80% do país. Para as áreas sem recobrimento, foi realizada uma modelagem complementar que considera essa porção do território como sendo terra privada e estima os limites dos imóveis rurais a partir dos dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2006, reproduzindo a distribuição de tamanho dos imóveis rurais em cada município ou setor censitário.

A malha fundiária disponibilizada é a melhor aproximação a respeito do tamanho, da localização e da distribuição das terras públicas e dos imóveis privados brasileiros, e pode ser visualizada e baixada livremente no site do projeto Atlas da Agropecuária Brasileira. A compilação revela algumas surpresas, como a abrangência das pequenas propriedades (menores que 4 módulos ficais), onde está presente a agricultura familiar. Quando comparada ao Censo Agropecuário de 2006, que ainda é a principal referência nos estudos atuais sobre a agropecuária nacional, encontramos 1 milhão de imóveis a mais nesta categoria.

Também revela que as grandes propriedades ocupam área similar à soma de todas as médias e pequenas propriedades (descontando-se as dos assentamentos) e também representam um valor próximo da soma das áreas protegidas do país, entre terras indígenas e áreas de conservação. Também ficam evidentes as assimetrias de distribuição de terras entre os Estados. Enquanto o Rio Grande do Sul tem 2% do território com áreas públicas protegidas, 1% dedicada a assentamentos e 89% ocupada por propriedades privadas; o Amazonas possui 52% da área protegida, 4% em assentamentos, 35% da terra pública ainda não destinada e 6% com terra privada.

De acordo com Luís Fernando Guedes Pinto, do Imaflora, além dos estudos produzidos, o Atlas organizará e disponibilizará em uma página da internet informações secundárias e originais sobre a geografia da agropecuária nacional. “Nos próximos meses, serão disponibilizadas novas informações como o uso da terra, a aptidão agrícola, a distribuição, produção e produtividade das culturas em séries históricas, além de outras informações ambientais e sociais relevantes para o desenvolvimento rural e a conservação dos recursos naturais, como o desmatamento e o cumprimento do Código Florestal, afirma Pinto.

O professor Gerd Sparovek do GeoLab acrescenta que “o Atlas fornecerá informações e análises para uma melhor compreensão da agropecuária brasileira e poderá apoiar decisões e a formulação de políticas públicas e privadas para o setor”. Para acesso ao Atlas, clique em

https://goo.gl/LoZk3h

Texto: Ana Cristina Rosa, com informações do Imaflora

 

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