Equipe do Projeto TIPR apresenta “escada da inovação inclusiva” durante 60° Congresso da SOBER

Modelo foi utilizado para construção da Tipologia de Inclusão Produtiva Rural, ferramenta desenvolvida para incidência em políticas públicas

Membros da equipe do Projeto de Tipologia da Inclusão Produtiva Rural e sua Incidência em Políticas Públicas para o Desenvolvimento Rural Sustentável (Projeto TIPR) apresentaram no dia 10 de agosto, quarta-feira, os “níveis de inovação inclusiva e dinâmicas de aprendizagem e interação” durante a 60° edição do Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER), realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Durante a Sessão Organizada (SORG) “Inclusão Produtiva, agricultura familiar e agenda do debate“, os pesquisadores Mireya Valencia (UnB/RETE), Vahíd Vahdat (Cátedra Itinerante Inclusão Produtiva Rural/ Cebrap Sustentabilidade), Cidonea Deponti (UNISC/OBSERVADr) e Alexandre Lima (Consórcio Nordeste) destacaram como o modelo serviu para mensurar graus de inovação inclusiva em experiências protagonizadas por organizações e movimentos sociais agrícolas do Norte, Sul e Nordeste do Brasil, e que favoreceram o aumento de produtividade, o acesso a mercados e a segurança alimentar e nutricional.

ESCADA DA INOVAÇÃO INCLUSIVA

Conforme o trabalho apresentado pelos pesquisadores, a escada da inovação Inclusiva, como também é denominado o modelo, apresenta seis níveis, sendo que o primeiro (inovação de intenção) representa uma inovação desenvolvida por agentes externos ao grupo em situação de vulnerabilidade socioeconômica e que tem a intenção de satisfazer as necessidades, vontades ou dificuldades daquele grupo, enquanto o nível 6 (Inclusão pós-estrutural) representa uma inovação criada no interior de um sistema de conhecimento e de discursos já inclusivos.

Ainda durante a SORG, os pesquisadores destacaram o quarto degrau da escada (nível 4: inclusão de processo) como o mais fértil da TIPR. De acordo com eles, é naquele degrau onde o grupo socioeconomicamente excluído manifesta maior participação e interação com a inovação, desde as etapas mais simples, como ser informado ou consultado, até as mais complexas, como a colaboração, o empoderamento ou até mesmo o controle da atividade inovadora.

Fonte: Tartaruga e Sperotto (2021, p. 105).

O uso dos níveis de inovação inclusiva para a TIPR se justifica dentro da perspectiva multinível das transições sociotécnicas, que tem como base os estudos históricos das tecnologias e explica que as inovações (mudanças tecnológicas) ocorrem em territórios onde há atividades localizadas por meio de cooperação e que experimentam e criam novidades produtivas, os chamados nichos tecnológicos.

O modelo da escada parte da premissa teórica de que

Inovação inclusiva é toda novidade técnica (produto ou processo produtivo) que visa satisfazer as necessidades de estratos da população de baixa renda ou escolaridade, e que contempla a possibilidade que essas inovações sejam diretamente criadas por esses mesmos atores em situação de vulnerabilidade, atingindo, neste nesses casos, uma real apropriação tecnológica com a participação desses estratos sociais.

(Heeks et al., 2013; Tartaruga, 2018; 2021; Tartaruga e Sperotto, 2021).

O CONTEXTO DE EXCLUSÃO E OS CAMINHOS PARA INCLUSÃO

Ainda durante a SORG, Vahíd Vahdat, pesquisador do Cebrap Sustentabilidade e membro da coordenação da Cátedra Itinerante Inclusão Produtiva no Brasil Rural e Interiorano explicou que o contexto de pandemia de Covid-19 provocou uma agudização da situação de vulnerabilidade de muitas famílias rurais, em função das medidas de isolamento e distanciamento social, que provocaram a interdição de feiras e outros modelos de comércio, impactando significativamente na renda daquelas famílias.

Vahdat também explicou que foi com o objetivo de sistematizar lições práticas, formulações teórica e discursiva, fortalecer capacidades e disseminar o conhecimento que o Cebrap Sustentabilidade, em parceria com as Fundações Arymax, Tide Setubal e Instituto Humanize, criou a Cátedra Itinerante Inclusão Produtiva Rural, adotando uma perspectiva de espaços rurais que considera os pequenos municípios e vilarejos como parte dos territórios, localidades e microrregiões.

Nesse sentido, Mireya Valência, professora da Universidade de Brasília e pesquisadora da RETE, salientou a importância do apoio da Cátedra para o desenvolvimento do Projeto TIPR, cujo objetivo é a formulação da Tipologia da Inclusão Produtiva Rural a partir da sistematização de evidências e referências ora dispersas para contribuir no processo de formulação de políticas públicas de desenvolvimento rural sustentável.

INCIDÊNCIA NA GESTÃO PÚBLICA

Encerrando a apresentação da equipe no Projeto TIPR no 60° SOBER, Alexandre Lima falou sobre a criação e modelo de gestão do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste), fundado no ano de 2019 para a integração dos nove Estados do Nordeste do Brasil e o compartilhamento coordenado dos recursos regionais.

De acordo com Lima, a estrutura organizativa do Consórcio é composta por Câmaras Temáticas, que tem, entre outras, a função de aprimorar a capacidade de elaboração de políticas públicas. Criada no ano de 2021, a Câmara Temática da Agricultura Familiar compõem a estrutura do Consórcio e busca o apoio e fortalecimento e expansão da agricultura familiar em bases agroecológicas.

Nesse sentido, a Tipologia de Inclusão Produtiva Rural desenvolvida pela RETE analisou os níveis de inovação inclusiva em experiências desenvolvidas por agricultores familiares de base agroecológica da região Nordeste apoiados pelos Projetos Dom Helder Câmara (PDHC) e Ação Coletiva Comida de Verdade (ACCV), compartilhando com o corpo técnico Consórcio Nordeste os resultados de experiências exitosas e replicáveis, além de recomendações e indicação de prioridades para a formulação de políticas públicas.

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